Conheça os axolotes: espécie mexicana exótica e ameaçada de extinção no mundo ganha lar no RS após resgate do tráfico
Axolote, espécie nativa do México Igor de Almeida/ Ascom Sema Pequenos, exóticos e com uma aparência que parece saída de um desenho animado, os axolotes ga...
Axolote, espécie nativa do México Igor de Almeida/ Ascom Sema Pequenos, exóticos e com uma aparência que parece saída de um desenho animado, os axolotes ganharam um destino seguro após serem apreendidos em uma operação contra o tráfico de animais no Rio Grande do Sul. Trinta e cinco desses anfíbios originários do México, conhecidos por regenerarem partes do corpo e por não passarem pela transformação típica da vida aquática para a terrestre, passaram por cuidados especiais antes de começarem uma nova fase de vida em exposição ao público. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Pela primeira vez em 63 anos, o Zoológico de Sapucaia do Sul, na Região Metropolitana de Porto Alegre, abriga a espécie. Os bichinhos, que têm um visual diferente e mantem características de “larva” mesmo na fase adulta, passaram por quarentena e adaptação antes de serem integrados ao novo recinto, que recebeu aquários específicos, iluminação monitorada e controle rigoroso da temperatura da água. Axolote: salamandras mexicanas ameaçam ecossistema brasileiro, alertam biólogos Apreendidos em um restaurante da Capital Os axolotes chegaram ao zoológico após uma operação conjunta da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema) e da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (Dema). A ação, realizada no ano passado, encontrou 74 exemplares sendo mantidos irregularmente dentro de um restaurante de Porto Alegre. Desde então, os animais passaram a receber cuidados específicos. De acordo com o analista‑biólogo da Sema, Patrick Colombo, eles foram mantidos em aquários com aeração contínua, filtros de espuma e água desclorificada, que é parcialmente trocada uma vez por semana. A rotina inclui alimentação de três a quatro vezes por semana e ambiente climatizado a 24°C. Espaço no Zoo Segundo a gestora do parque, Caroline Gomes, o local onde os axolotes vão ficar foi planejado para garantir bem‑estar aos animais e também para servir de alerta aos visitantes sobre o impacto do comércio ilegal de fauna. “Como são animais vítimas de tráfico, infelizmente não têm a possibilidade de serem reintroduzidos em seu habitat natural e precisam permanecer sob cuidados humanos", ressalta Caroline. O que são, afinal, os axolotes? Axolote, espécie nativa do México Igor de Almeida/ Ascom Sema O axolote (Ambystoma mexicanum) é um anfíbio de água doce que chama atenção por não passarem pela transformação típica da vida aquática para a terrestre, como sapos e rãs. Em vez disso, conserva brânquias externas e uma aparência considerada “fofa” por muitos admiradores da espécie. Entre outras curiosidades: Pode chegar a 30 cm; Vive cerca de cinco anos; Move-se devagar e tem comportamento tranquilo; Alimenta-se de pequenos peixes e microrganismos; É capaz de regenerar membros e até partes de órgãos internos. Essa capacidade de regeneração faz da espécie um alvo de interesse científico. Por isso, outros 39 axolotes apreendidos na mesma operação foram destinados a instituições parceiras para fins de pesquisa. A diretora de Biodiversidade da Sema, Cátia Viviane Gonçalves, explica que animais encontrados fora do México costumam resultar de cruzamentos entre diferentes linhagens. Isso altera características importantes para a vida selvagem e impede que sejam reintroduzidos sem uma avaliação minuciosa. O axolote é considerado criticamente ameaçado de extinção no mundo, conforme informou a Sema. O avanço do tráfico e a reprodução clandestina agravam o cenário. No Brasil, comprar, vender ou manter axolotes sem autorização é crime ambiental, com multa de R$ 5 mil por indivíduo e previsão de prisão. VÍDEOS: Tudo sobre o RS